
Por todo o mundo, as mulheres estão na linha de frente das resistências contra o colonialismo que se renova a cada dia. Desde o princípio da ordem colonial fundante do capitalismo, as mulheres lutam diariamente contra as invasões e ocupações que produzem violências, exploração e destruição por onde passa. Hoje, na construção da luta feminista, as mulheres negras renovam suas estratégias de lutas, enfrentando o conflito do capital contra a vida.
Essa resistência carrega a força dos povos do continente africano, brutalmente sequestrados e explorados para a construção de impérios coloniais. Esses impérios deram início à organização de um sistema econômico vigente até hoje, o capitalismo patriarcal e racista. A reparação para os povos, populações e territórios marcados pela colonização é um debate em curso hoje. A exigência por reparação escancara que a estrutura econômica se sustenta com base em uma divisão internacional, racial e sexual do trabalho.
Essa reivindicação se conecta com diversas lutas que construímos a partir da nossa auto-organização e em alianças com movimentos sociais. Assim, se constrói de diversas formas a defesa dos territórios e do bem viver: nas lutas contra as transnacionais, pela demarcação de territórios tradicionais, indígenas, quilombolas, por reforma agrária popular, entre outras.
É nas conexões das lutas que ganhamos força para enfrentar as imposições do capitalismo patriarcal e racista. Por isso, esse chamado de cartazes faz parte das conexões entre uma agenda permanente de lutas e de auto-organização. Essa agenda não se detém apenas em dias de luta comuns, como o 25 e o 31 de julho — Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e Dia da Mulher Africana, respectivamente —, pois é uma construção política internacionalista permanente.
Uma dessas construções é a Afro-IFOS (sigla em inglês), edição afrocentrada da Escola Internacional de Organização Feminista “Berta Cáceres”. A Afro-IFOS acontecerá em setembro de 2026 no Quênia a partir de um processo de elaboração e convocação em aliança entre movimentos. Os materiais selecionados para integrar a galeria virtual serão também expostos presencialmente durante a Afro-IFOS.
Para enfrentar as imposições coloniais, convocamos a criatividade feminista e antirracista. Vamos pintar o mundo com nossas alternativas de resistência, que movimenta a história e sustenta a vida. Somos mulheres diversas que compartilham trajetórias de organização coletiva. O feminismo popular e antirracista não fragmenta as lutas. Ele constrói sua força a partir da organização das mulheres em cada território, forjando um protagonismo diverso. O feminismo é rebelde e irreverente. Cria e recria símbolos, junto com as alternativas para uma sociedade em que a sustentabilidade da vida seja o centro, com base na igualdade, na solidariedade, na liberdade, na justiça e na paz. Nomeadas de formas diversas, essas são algumas das lutas fundamentais para o feminismo que queremos retratar nos cartazes.
Convidamos todas as mulheres e coletivos a expressar sua arte nesta convocatória aberta organizada em parceria entre Capire e Alba Movimentos. Os cartazes serão impressos e expostos durante a Afro-IFOS, em setembro, no Quênia.
Os cartazes podem trazer ilustrações, fotografias, colagens — o importante é a criatividade e a vontade de contribuir. Envie em formato A3 ou A4, com resolução de pelo menos 300px, no sentido vertical ou horizontal. O formulário de inscrição fica aberto até o dia 31 de agosto de 2026.
